27 de Outubro de 2008

A nossa casa

Entro neste espaço e vejo montes de pó nas prateleiras da imaginação, afasto teias de aranha para poder caminhar neste corredor, pois é, há mais de um mês que não dou um brilho a esta casa e no mundo virtual, especialmente na Blogosfera, é o suficiente para ela parecer abandonada. Quando criei este espaço foi com o intuito de dar mais utilidade a estes pensamentos que me consomem por dentro, que na verdade nos consomem a todos nós, e um pensamento fica sempre mais bonito quando encaixilhado numa frase. No entretanto faço as minhas dissertações sobre o mundo no meu caderno imaginário, só meu. Ando bailando nesta corda bamba que é o nosso país, recém-licenciada, recém-desempregada, recém-mestranda no meio de um povo eternamente saudosista de tempos de glória que, cegos, não vêem já se terem desvanecido há muito tempo pelos sucessivos fracassos e últimos lugares nas tabelas. O ópio do povo que Queirós falava, a inércia e o comodismo, os queixumes que não passam disso, pois deixam de lado as armas que fariam a diferença , o voto e a união, aquela que faz a força. Resta-nos a boa comida e o bom vinho, mas nem essa sempre importa, pois mais vale o BMW à porta do que pão e vinho sobre a mesa. Dos bons portugueses sobram dois grupos, os fiéis aos seus princípios e valores, que se mantêm firmes e incorrompidos ao sono injectado nesta sociedade, uma minoria que infelizmente ainda não faz a diferença. Depois há outro grupo, pessoas igualmente de valores e preenchidas pela vontade de mudar o mundo, mas cujo sonho é roubado pelos obstáculos muitas vezes não ultrapassáveis da nossa sociedade, a pobreza, o desemprego, a precariedade, e então cedem, cedem ao emprego que aparecer que não é o que sonhavam mas é o único que lhes abre portas, cedem à cunha porque ou esta ou as amarras do desemprego, cedem ao facilitismo porque as suas ideias não mobilizam ninguém, cedem ao Estado, ao governo, ao voto de sempre ou ao não-voto, não de protesto mas de não-vale-a-pena. Cedem ao Magalhães, aos estádios novos, ao novo autódromo do Algarve, e a todas essas regalias que servem para nos incrementar nos top's dos mais países mais desenvolvidos, um fogo de vista que na verdade faz de nós uns subdesenvolvidos de inteligência, subdesenvolvidos de consciência social, subdesenvolvidos de dignidade. E se isto não basta, que mais é preciso para nos acordar? Este país tem estado como este espaço, eufemisticamente falando - adormecido.