27 de Junho de 2008

Retratos (69)

* Summer [19-06-08]

26 de Junho de 2008

Hipérbole

Nas grandes coisas. Não somos nada. Não valemos nada. Ao pé de um planeta que somos nós? Ao pé de um universo medido a infinito, que somos nós? Não somos nada. Nada somos perante um fenómeno da natureza que destrói tudo à sua volta com uma beleza provocadora. Nada somos perante milhões de mortes por dia, nada somos perante milhões de nascimentos por dia. Um número, o que é? Nada. Que somos nós perante uma guerra arrebatadora? Os causadores. Nada. Nada somos perante milhares de anos de história. Um capítulo. Nada. Que são 80 anos de vida numa eternidade? Nada. Que somos nós perante milhões de espécies na terra? Espécie pensadora de vida efémera. Nada... Não somos nada numa sala vazia de silêncios entalados.
E no entanto, que emaranhado de coisas e sentimentos é este? Que nos corrompe e irradia por dentro em simultâneo, que coloca o nosso ser no topo da montanha de um mundo - que se paramos para pensar - nos engole na nossa insignificância? Que emaranhado de emoções e questões são estas? Que nos colocam como seres tão profundos, tão únicos, dentro da nossa individualidade? Cada um de nós transporta dentro de si um mundo inteiro de sensações, de desordens, de medos, de ansiedades e vontades infindas. O que é isto, de nós próprios sermos o nosso maior mistério? Enigma que levamos uma vida inteira a não decifrar. No mundo, somos formigas reduzidas à nulidade a maior parte das vezes, entre nós, somos uma comunidade, que tal como o poeta, guardamos em nós todos os sonhos do mundo. Extraordinariamente, de toda a grandiosidade do universo, de todo o imenso, ilimitado e indeterminável cosmos, espaço e tempo, só outras formigas como nós nos elevam ou diminuem, só outras formigas como nós nos atribuem o todo ou o nenhum significado. Porque não somos nada nas grandes coisas, mas somos muito menos sem outros nadas com quem partilhar a nossa minúcia. Porque de tudo, o que realmente importa, são as pessoas.

25 de Junho de 2008

Retratos (68)

* Tela natural e os reflexos sujos de uma viagem [25-06-08]

23 de Junho de 2008

Bom São João a todos!









sao joao 2008 -

Cashback


Há muito que precisava de um filme assim. Profundo. Essa palavra que eu tanto gosto. Não me vou gastar em palavras, porque afinal, eu não sou nenhuma crítica de cinema. Mas assistam a Cashback se tiverem oportunidade. Irão ver-vos a vós próprios retratados em cada diálogo, monólogo... irão ver questões retiradas das vossas próprias mentes, irão ver uma bela metáfora de dois segundos de vida.

20 de Junho de 2008

Amar é

Formidável família musical

19 de Junho de 2008

00:04



13 de Junho de 2008

120 anos de Pessoa!

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso".

Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:

Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.

Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.

É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.


Fernando Pessoa



[Obrigada por engrandeceres a nossa pátria...]

12 de Junho de 2008

Retratos (67)

* Praia de Matosinhos [10-06-08]

11 de Junho de 2008

Sex & the City


Get carried away.

2 de Junho de 2008

Rock in Rio




Será pequeno o meu discurso sobre este espectacular evento que é o Rock in Rio. De um dia em que todas as atenções se centram na "deprimente" actuação de Amy Winehouse, segundo a opinião de várias pessoas, o que eu guardo é muito mais do que isso. Mais do que ver a célebre actuação, surpreendi-me, isso sim, com as críticas que li apôs o primeiro dia do evento relativamente à mesma. Críticas, na sua maioria, vindas de fãs, que como tal, conhecem bem a cantora que acompanham. Amy Winehouse não actuou de forma diferente, Amy Winehouse foi ela própria, bêbada, sim, desnorteada, sim, mas ela própria. E é triste sim, é triste que alguém com tanto talento se perca pelo caminho mais fácil, mas honestamente, não poderíamos esperar muito mais. Quem a conhece não poderia esperar muito mais. Mas permitam-me que diga, contrariando a opinião das massas, eu gostei deste concerto! As expectativas não era altas enquanto espectáculo musical, a minha motivação em vê-la centrava-se antes na própria experiência de vê-la ao vivo. Senti-o lá, este concerto, juntamente com a vibração do público, com a energia positiva de um público que está lá por uma mesma causa – a música. E é dessa matéria que um espectáculo musical é feito também, da interacção de vários ingredientes – sabores que a caixinha mágica, por mais mágica que seja, não alcança. Do que eu guardo deste evento está, em parte, gravado aqui, nestas imagens, ver milhares de pessoas reunidas em torno de uma paixão em comum. É uma imagem indescritível, é uma emoção indescritível. E, é claro, enquanto o mundo está de olhos postos na desgraça de Amy, não poderia deixar de elogiar aqueles que se portaram bem, que nos presentearam com um grande momento de música, Ivete Sangalo e Lenny Kravitz, dois furacões em palco que, sem dúvida, nos fizeram estremecer. Pena mesmo, é não poder picar ponto no dia 6…