De mim resta um corpo consumido de toda a energia empregada nestes 4 dias que, certamente, vão durar para sempre. Por outro lado subsiste uma alma mais rica, de memórias de grandes concertos, de convívio, de alegria, de muita praia, de paisagens deslumbrantes que o nosso Portugal nos dá à descoberta como se de segredos se tratassem. O festival Sudoeste é, provavelmente, o evento mais descomprometido com a música do nosso país, no sentido em que a música é encarada como um bónus de tudo o resto que este festival tem para oferecer, tendo já enraizada uma tradição de participação que passa muito mais pelo convívio e pelo contacto, não só com as pessoas mas com a própria terra, do que pelo respectivo cartaz que apresenta. Eu, por meu lado, não consigo ficar impune aos nomes que cada cartaz apresenta, se o divertimento, as pessoas, a praia e tudo resto são um excelente chamariz, a música tem um poder inqualificável. Das dezenas de nomes presentes neste evento, saliento muito resumidamente aqueles que mais me marcaram, Clã – nunca tive oportunidade de os ver ao vivo e são de facto extraordinários, destacando-se a presença em palco de Manuela Azevedo, mulher furacão, contagiantíssima. Björk, parte do concerto foi visto lá de cima da roda gigante, um verdadeiro espectáculo de sons e luzes que ultrapassa em parte a vertente musical. Chemical Brothers, foi quiçá o melhor concerto deste festival, uma sensação que poderia ser figurada numa injecção de energia, ritmo e fervor, com um público expressamente a entrar em ebulição, olhar ao redor e assistir a centenas e centenas de pessoas a dançar e a saltar com a mais convicta devoção, é uma imagem que dificilmente se esquece. Brandi Carlile, acima de qualquer expectativa, uma voz poderosíssima, um arrepio forte, um poder imenso. David Fonseca, vi-o aqui pela terceira vez e só tenho a dizer que está cada vez melhor, um artista ao mais alto nível, deu um concerto fervoroso e veemente. Vanessa da Mata, as suas músicas abraçaram-nos juntamente com o seu sorriso, lindo, intenso e vibrante. Por fim, Franz Ferdinand, fugiram às expectativas criadas, o que se deveu talvez, em parte, aos problemas técnicos que aconteceram logo no início do concerto, ainda assim, e sendo para mim uma das bandas mais esperadas do festival, foi um prazer desmedido assistir a um concerto deles ao vivo. A isto junta-se muito mais, talvez inexpressável, de uma média de 5 horas diárias de sono, do campismo mais agreste mas simultaneamente mais animado da história dos festivais, dos banhos de Baco, do sol, praia e mar, e de muito mais.